// Histórias
“Meio-Elfo” é uma história composta de conto e ilustração, criada por Olga Hazin, vulgo Lady Draconnasti.
“Um elfo de longos cabelos vermelho-sangue adentrou no aposento. Vestia um robe vermelho e com detalhes dourados por cima das vestes brancas, o que denunciava sua posição como Primeiro-Ministro. Ao lado dele, um jovem meio-elfo de túnica azul se encontrava de cabeça baixa. Em seus pulsos, pesadas algemas de ferro traziam o brasão do Demônio do Deserto, oprimindo sua carne pálida.”
Por Olga Hazin
O doce odor do incenso se espalhava pelo ar, dançando junto com as duas jovens trazidas pelo para o Castelo Imperial. O movimento suave da cintura delas produzia um efeito hipnótico no homem que estava deitado ao chão, sobre as almofadas de veludo espalhadas, que não lhes tirava os olhos nem mesmo para encher seu cálice com vinho.
Ele tinha a pele queimada pelo sol, cabelos castanho-claros, na altura dos ombros, soltos. Estava parcialmente coberto por sua capa cor de areia, exibindo as vestes folgadas, presas por amarras de couro nas pernas e braços e por uma faixa azul-celeste na cintura. Apoiada sobre o ombro, sua cimitarra repousava embainhada, algo raro de se ver.
O som de alguém adentrando no aposento desviou sua atenção por um momento, aborrecendo-o.
Um elfo de longos cabelos vermelho-sangue adentrou no aposento. Vestia um robe vermelho e com detalhes dourados por cima das vestes brancas, o que denunciava sua posição como Primeiro-Ministro. Ao lado dele, um jovem meio-elfo de túnica azul se encontrava de cabeça baixa. Em seus pulsos, pesadas algemas de ferro traziam o brasão do Demônio do Deserto, oprimindo sua carne pálida.
- Está atrasado, Kismet. – Bufou o homem, sorvendo um gole farto da bebida em seu copo.
- Este é seu novo aprendiz, Kyasid. – Disse o imortal com certa ironia, ignorando o comentário. Com um movimento forte, arrancou a parte superior das vestes do garoto, para ser avaliado. – Espero que você não o mate tão rápido, como fez com os anteriores.
Os olhos do Demônio faiscaram ao fitar o meio-elfo, que tinha cabelos e olhos claros, este último quase inteiramente desprovido de vida. Seu corpo magro trazia consigo o desenho dos ossos, dando-lhe um aspecto cadavérico. Não era muito alto, muito menos tinha ombros firmes. Era evidente para qualquer um que aquele corpo era frágil demais para resistir à trilha de um guerreiro, e que aquelas mãos finas seriam incapazes de rasgar gargantas na escuridão das noites do deserto.
Foi como se um nó tivesse se formado na garganta do jovem mestiço. Sentiu o rosto encharcar rapidamente. Suas pernas quase perderam a força por completo, mas ele não podia se permitir à fraqueza. Embora arriscada, aquela era a sua única chance de ter a liberdade que nunca tivera.
O jovem precisou de muito auto-controle para não chorar. Fora muito longe para por tudo a perder daquela forma.
- Kismet… Você me fez sair do Vale dos Reis, dizendo que tinha um promissor aspirante para mim… – Rosnou Kyasid furiosamente. – E você me aparece com um maldito pedaço de carne e ossos que treme como uma muda verde.
O elfo não conteve uma gargalhada sarcástica, a qual assustou até mesmos as dançarinas tão compenetradas.
- Você não tem o que reclamar, já que nunca aparece para as reuniões do Conselho, Kyasid. Se o fizesse, poderia escolher seus aprendizes. Some isso ao nosso pequeno problema de falta de contingente, afinal de contas, nós perdemos a guerra. – O imortal disse, levando a mão aos cabelos escarlates. – Você não tem escolha.
- Não precisa me lembrar dessa vergonha, Kismet.
- Além disso, a decisão não foi minha, e sim de Ashiakhan.
- Amaldiçoado seja aquele insano…! – Rugiu o Demônio do Deserto, irado pela menção ao nome daquele outrora conhecido como O Juiz. – Aquele infame deveria estar acorrentado na mais profunda caverna de Khadris até o fim de sua punição, e não na liderança do Conselho!
- Tem alguma idéia melhor? – Perguntou o elfo de vestes vermelhas com um tom sombrio. – Com a morte de Irine, ele a substituiria de qualquer modo…
- Mas ele, Shadalkhan e Nêmesis foram rebaixados desde muito antes disso! Vocês deveria, ter escolhido um sucessor há séculos! – Vociferou o humano, cada vez mais irritado.
- A Imperatriz não permitiu a mudança e o Imperador a apoiou. Não há nada que possamos fazer… A menos que queira desafiá-los abertamente.
Mal terminara de falar, quando o garoto se colocou diante do elfo que o trouxera e se colocou de joelhos a sua frente, apoiando as mãos no chão de mármore frio. Baixou a cabeça, oferecendo o pescoço para a ira crescente do Demônio do Deserto.
Com fúria, Kyasid jogou o cálice longe, a despeito de seu conteúdo, e apanhou a espada apoiada no braço em repouso. Colocou-se de pé quase que em um salto e descobriu a lâmina de sua arma. O garoto engoliu seco.
Gotas de suor percorreram seu rosto, em uma amostra clara de seu medo diante aquela situação. A morte estava tão próxima quanto a liberdade que tanto desejava.
Só restava saber qual delas viria abençoar o coração do pobre meio-elfo primeiro.
Eu gostei deste conto. Ainda assim, não gostei do final muito aberto, prefiro as histórias mais “encaminhadas”. Eu particularmente gosto de traços “apressados” assim, então no geral eu gostei sim!
Do texto, nada muito genial. Conheço seu texto, sei do que você é capaz :p, mas ainda assim muito bom e flúido.
Eu gostei como o texto casou com a imagem, a perspectiva que a gente imagina é bem diferente…
Como editor, eu pediria mais imagens, mas fazia um tempo que queria testar um modo de fazer um texto contornar a imagem sem “chapar” tudo em uma imagem. Ainda não fiquei feliz com o resultado, ficou meio “blocado” o contorno, mas já é um começo.
Parabéns, Draconnasti!!!
Comentado por Rodrigo van Kampen em 14 de January de 2009 at 1:07 am
Em breve… em breve…
Os personagens ainda estão em fase de aprovação (embora q tudo começou por acidente, mas… já que tá dando certo, vamos lá) ^^
Comentado por Draconnasti em 16 de January de 2009 at 12:25 am