// Histórias

Memória Entre Paredes

É estranho se mudar de um quarto que o acolheu por mais de dois anos. Talvez até mais estranho do que se mudar de casa. Porque o quarto, aquelas quatro paredes cuja principal característica é ter uma cama para dormir, é um canto único e exclusivo. Um espaço seu, para pendurar as máscaras ao menos por um instante antes do sono.

Esta história veio surgindo na minha mente enquanto esvaziava meu quarto antes de me mudar. Talvez um pouco pessoal, fala sobre algumas coisas. Espero que goste!

Leia a história aqui!

6 comentários

  • Cara, ficou demais. A ligação da imagem com o texto, e o modo de as ler da esquerda para a direita ficaram realmente bons. Além da história em si, que ficou ótima. Nada como estar se mudando de verdade para falar sobre o que é se mudar.

    Talvez saindo do quarto a gente “se mude” em vários sentidos.

    Parabéns!

  • segundo Vandré a “vida não mudava mudando só de lugar”, para Heráclito, a vida está em constante devir, a mudança ocorre em cada fração de segundo, “ninguem se banha duas vezes no mesmo rio”, qundo vc mergulha o rio já náo é aquele que vc megulhou e vc já não é o mesmo, seu corpo já perdeu celulas e ganhou celulas novas, seu pensamento é outro.
    Depois desta digressão, voltando ao quarto, ele funciona como um porto seguro, é nosso recanto mais intimo, nosso campo de inanência, e a mudança de local provoca em nós um estranhamento pois estavamos habituados a ele. Continuando com Deleuze, temos que criar um “corpo sem orgãos”, o que é bastante produtivo. “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante…
    O pendurar as mascaras como metafora do estar consigo mesmo é… bom, muito bom!
    não resisti em fazer algumas correções

  • Bruno, eu já havia agradecido pessoalmente ao comentário, deixo aqui registrado! ^^

    Carlos Eduardo, acho que o seu comentário foi um dos mais complexos que já pintadam por aqui!
    Quando eu fiz esta história foi mais para externar um sentimento que para realmente “fazer arte”. Fiz quando esvaziei o quarto antes de mudar para São Paulo, como eu contei.
    Um quarto para mim é realmente um canto onde você pode finalmente abandonar todas as máscaras sociais que você veste durante o dia.
    Obrigado pelo comentário!

  • Além das compreensões mais comuns de mudança, essa me fez pensar no quão carregado um mesmo quarto pode ser – e em quantos “quartos” meu quarto já foi.
    Resignificar um local cuja história você corre o risco de jamais conhecer sequer uma parte – haja responsabilidade.

    • Acho que a minha relação com esse quarto é curiosa… Porque ele foi um dos primeiros “meu” quarto… Sim, havia o meu quarto na casa dos meus pais, mas havia as regras deles, e eu o dividia com meu irmão…

      Esse era meu… os móveis, as paredes… Comecei a rabiscar frases nas paredes, mudava a disposição da cama. Quando saí, parece que uma parte de mim havia ficado.

      Aliás, acho que nem é isso, acho que quando eu vi o quarto vazio, eu percebi como é que EU havia mudado nos anos que o habitei. Achei que o lugar merecia a homenagem.

  • Achei conveniente comentar porque fui o subsituto do Rodrigo nesse quarto. Concordo com ele e acho que sinto o mesmo. Fiquei só seis meses no que passou a ser o “meu” quarto quando ele se mudou. Sinto que deixei também minhas impressões naquele espaço apesar de não ter escrito nada nas paredes. E quando saí, percebi que um ciclo da minha vida tinha chegado ao fim e que muita coisa também tinha mudado. Entrei me sentindo seguro e saí meio que sem rumo. Espero, no meu próximo quarto, me encontrar de novo.

    Parabéns pelo texto… me fez refletir

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